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 Revista Profanações

A Revista Profanações (ISSN 2358-6125), apresenta-se como um veículo de divulgação científica dos grupos de pesquisa das áreas de Ciências Humanas da Universidade do Contestado.

 

 Acesso 

v. 4, n. 2 (2017)

 

CHAMADA PARA SUBMISSÃO DE ARTIGOS CIENTÍFICOS

REVISTA PROFANAÇÕES

CHAMADA PARA SUBMISSÃO DE ARTIGOS PRIMEIRO SEMESTRE DE 2018

O prazo final para submissão é até 30 DE MARÇO DE 2018.

O IX número da Revista Profanações terá como tema: "O DIÁLOGO ENTRE O PENSAMENTO DE GIORGIO AGAMBEN E HANNAH ARENT EM TEMPOS SOMBRIOS”.

 

A Revista Profanações integra a Base WebQualis da CAPES. Possui as seguintes classificações atualmente:

ÁREA DE AVALIAÇÃO

CLASSIFICAÇÃO

FILOSOFIA

B4

HISTÓRIA

B4

DIREITO

B4

INTERDISCIPLINAR

B4

PLANEJAMENTO URBANO E REGIONAL/DEMOGRAFIA

B5

ARQUITETURA, URBANISMO E DESIGN

B5

 A REVISTA PROFANAÇÕES Está disponível para consulta e pesquisa no Portal de Periódicos da CAPES em: http://www.periodicos.capes.gov.br/

Revista indexada em: 

LATINDEX: http://www.latindex.org/latindex/ficha?folio=25274

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Quem é Giorgio Agamben

Aspectos teóricos e conceituais no pensamento de Giorgio Agamben

Dr. Sandro Luiz Bazzanella

(Extrato da tese doutorado)

 Situar a crítica à metafísica ocidental realizada por Agamben exige, a exemplo do que foi estabelecido anteriormente em torno de Nietzsche, o reconhecimento das origens, das influências de suas bases conceituais. Em primeiro lugar, convém evidenciar a distância temporal e, acima de tudo, conceitual, que existe entre Agamben e Nietzsche. O filósofo alemão nasce em 1844 e tem sua existência no decorrer do século XIX. Desenvolve seu projeto filosófico a partir dos primórdios da década 1870 até 1889, ano em que cai enfermo e perde a consciência, vindo a falecer em 25 de Agosto de 1900.

Agamben nasceu em 1942, quase um século após o nascimento do (desmistificador do martelo) primeiro. Inicia o desenvolvimento do seu projeto filosófico a partir dos anos 70 do século XX, com ênfase no debate em torno da estética e da obra de arte. Porém, assume um discurso filosófico e político com maior intensidade a partir dos anos 90. Destes fatos resulta um segundo momento: a necessidade de reconhecer que para além das distâncias temporais e conceituais que separam o filósofo alemão do italiano, o que os aproxima é a condição de colocarem em jogo os pressupostos ontológicos sobre os quais a vida é concebida e articulada moral e politicamente na contemporaneidade. 

A crítica filosófica perpetrada por Nietzsche ao reducionismo vital a que estava sendo submetido o ser humano no contexto dos oitocentos e o anúncio do niilismo como condição ontológica manifesta e por acontecer nos séculos vindouros é, em certa medida,  salvaguardadas as diferenças interpretativas e conceituais, afiançada por Agamben no novecentos, na manifestação biopolítica de nossos tempos. 

A vida torna-se objeto de uma racionalidade pauta na gestão econômica, política e jurídica, num círculo violento e vicioso de produção e consumo de si mesma. Em seus respectivos contextos temporais ambos perguntam pela condição vital e ambos respondem com a potencialização da vida e de suas formas vitais.

 Outro aspecto relevante no posicionamento crítico de Agamben frente à metafísica ocidental, que é interessante ter presente, é o fato de que seu pensamento, diferentemente de Nietzsche, cuja obra está consolidada na extensividade e intensidade de que é objeto de análise, comentários e posicionamentos ao longo destes cento e dez anos de sua morte, a obra de Agamben está ainda inacabada, o que nos leva a reconhecer e assumir os riscos de que a análise da mesma fica exposta à fragilidade, de que ainda possam ocorrer por conta de mudanças de rumo, ampliações conceituais que o filósofo venha fazer em suas reflexões em torno dos objetos em que se move sua pesquisa.

A par destas prerrogativas que aproximam e afastam estes pensadores, é possível reconhecer em Agamben as mais variadas influências conceituais, e entre eles há Heidegger, há Foucault, Deleuze, entre outros, o que o torna um pensador sui generis e, que de certa forma, manifesta o espírito da modernidade como um tempo que reflete a si mesmo, seus contextos vitais e que, ao defrontar-se com seus limites, procura avidamente revirar a trajetória civilizatória e os problemas que os seres humanos em outros tempos se colocaram como condição de pensar o próprio tempo. 

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O Grupo de Estudos em Giorgio Agamben está vinculado ao “Curso de Ciências Sociais”, ao Programa de Mestrado em Desenvolvimento Regional da Universidade do Contestado – Campus Canoinhas,  ao “Grupo de Pesquisa Interdisciplinar em Ciências Humanas”, cadastrado no CNPq e sob liderança do Prof. Sandro Luiz Bazzanella. Surgiu no ano de 2012, a partir de interesses investigativos e analíticos em torno dos problemas contemporâneos. É composto por professores de diversas áreas, entre elas: Pedagogia, Direito, Filosofia, Biologia e Ciências Sociais.  Atualmente estão vinculados diretamente ao GEA 10 professores pesquisadores e 10 acadêmicos. Sob tais prerrogativas, o GEA se constitui como um grupo de estudo, pesquisa, investigação e produção acadêmica, a partir dos pressupostos teóricos e conceituais da obra do filósofo italiano Giorgio Agamben, bem como de autores correlacionados.

 A potencialidade e genialidade do pensamento de Agamben se expressa no conjunto de sua obra. Porém, para efeitos dos estudos do grupo, tomaremos as obras que o filósofo publicou a partir de meados dos anos 90 aos dias de hoje. Tais obras, apesar de suas especificidades, possuem um fio condutor articulado em torno de reflexões da filosofia política, ética e estética.  Ou dito de outra forma, Agamben procura compreender as estruturas políticas, de poder, de Estado, vigente no contexto de um mundo globalizado e financeirizado.  Noutra perspectiva, o estudo do pensamento filosófico de Agamben é de significativa importância, por ser um filósofo que se articula com diversos campos do saber, a partir de perspectivas metodológicas  genealógicas e arqueológicas, entre eles: o Direito, a História, a Literatura, a Filosofia, a Sociologia, a Linguística, o que torna sua obra um discurso interdisciplinar por excelência. Ao articular-se com diversos campos do saber na elaboração de uma “ontologia da potência”, Agamben vincula-se diretamente a um conjunto de autores, entre eles: Michel Foucault, Gilles Deleuze, Heidegger, Aristóteles, Hegel, Spinoza, Nietzsche, Émile Benveniste, Franz Kafka, Roberto Spósito, Hannah Arendt, entre outros, o que permite ao seu leitor fazer incursões em várias fontes de seu pensamento.

 

Objetivo Geral

 

Compreender o arcabouço teórico e conceitual colocado em jogo pelo filósofo italiano Giorgio Agamben em seus aspectos filosóficos, políticos, econômicos, jurídicos, linguísticos e culturais, como forma de qualificar os estudos, aprofundar as pesquisas em torno dos paradoxos, das contradições, dos limites e das possibilidades individuais e societárias em que estamos circunscritos na contemporaneidade.

 

Objetivos específicos

 

  • Conhecer a trajetória filosófica e os objetos filosóficos em torno dos quais se movimenta Giorgio Agamben;
  •  Colocar em debate as principais ideias do filósofo em sua potencialidade crítica e criativa diante do contexto societário vigente.
  •  Desafiar o grupo a partir dos estudos e reflexões a publicar artigos científicos, artigos de jornais, participarem de eventos. 
  •  Incentivar o desenvolvimento de projetos de pesquisa de cunho interdisciplinar articulando os conceitos estruturantes da obra de Agamben.
  •  Proporcionar o contato e intercâmbio com outros grupos de estudos em torno do pensamento e da obra do filósofo italiano.

 

Área de atuação

 

 A área de atuação do GEA é acadêmica, desenvolvendo projetos de pesquisa em torno de questões de ordem política, jurídica, econômica e cultural constitutivas do tempo presente, como forma de desafiar-se à sua compreensão.

 

Estruturação

 

 O Grupo conta atualmente com 10 professores pesquisadores vinculados à Universidade do Contestado e 10 acadêmicos. As reuniões são semanais para estudos e debates em torno das obras de Agamben, a partir de um cronograma previamente acordado e estabelecido pelo grupo.

 

Produção

 

A produção do grupo se apresenta na seguinte perspectiva:

a) Elaboração e execução de projetos de pesquisa;

b) produção de artigos científicos para revistas e anais de seminários e congressos afins;

c) escrita de artigos de jornais sobre questões pontuais da sociedade a luz do pensamento do filósofo italiano;

d) produção do “Caderno de Cultura”  publicado mensalmente em encarte de jornal local.