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Revista Profanações 

A Revista Profanações (ISSN 2358-6125), apresenta-se como um veículo de divulgação científica dos grupos de pesquisa das áreas de Ciências Humanas da Universidade do Contestado.

 


 

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Na perspectiva reflexiva que compõe a obra do filósofo italiano Giorgio Agamben, a trajetória civilizatória ocidental pode ser caracterizada pela constituição de dispositivos antropológicos, discursivos, jurídicos, políticos, econômicos e técnicos que em seu conjunto produziram e produzem o contínuo estado de exceção em que estamos vivendo. Tais dispositivos evidenciam o fato da vida em sua dimensão eminentemente biológica tenha se tornado o objeto por excelência da racionalidade política, jurídica e econômica na contemporaneidade. Estamos diante dos imperativos que em sua sacralidade impõem formas de vida pautadas numa gestão econômica da vida.

Neste contexto, as estratégias de poder difundem-se sob o pressuposto de que é imperativo potencializar a vida, de que é preciso fazer viver e deixar o morrer. Multiplicam-se os mecanismos de controle e vigilância da cotidianidade de nossas vidas. Multiplicam-se os experimentos a que estamos submetidos diariamente na efemeridade do tempo em curso. Não há o devido tempo para vivenciar experiências significativas que a vida em suas múltiplas dimensões requer. A imortalidade se circunscreve no agora, na satisfação imediata e efêmera de desejos potencializados pela dinâmica da plena produção de mercadorias e subjetividades.

Multiplicam-se os discursos de que somente os regimes democráticos de governo podem garantir liberdade aos indivíduos, aos povos, bem como o acesso a diretos, deveres e, sobretudo, ao consumo de bens produzidos, como condição de sentido e finalidade à vida, à existência humana em sua totalidade. Paradoxalmente, em tais regimes de governo presenciamos a manifestação de uma sociedade de massas, de milhões seres humanos condicionados e conformados na dinâmica da plena produção e das promessas de consumo.  Estamos diante da manifestação de um fundamentalismo democrático de mercado, assentado sobre a lógica do poder soberano e do estado de exceção que lhe é constitutivo. Assim, não sabemos a que nos referimos quando anunciamos que vivemos em regimes democráticos de governo.

Diante deste poder soberano, que opera em contínuo estado de exceção produtor de vida nua, detentor do direito de vida e de morte, nossas sociedades contemporâneas legislam freneticamente sobre todas as esferas da vida e das relações humanas, revelando um estado vital de ansiedade na busca por segurança. Neste cenário, a máquina jurídica invade a vida humana, normatizando a totalidade das relações humanas. Ao juridicializar o universo das relações humanas em âmbito privado e público, retira-se dos seres humanos sua condição de política, de agir conjuntamente na busca do bem comum, abre-se mão da potência do pensamento.

Como filhos de nosso tempo, somos desafiados a compreender os dispositivos de funcionamento da máquina civilizatória ocidental, de seus fundamentos operacionais na produção do ser. Talvez nos aproximando de tais perspectivas seja possível no tempo que resta pensar, potencializar a inoperosidade do ser, do mundo, da vida, da existência.  

A Revista Profanações, vinculada ao Grupo de Estudos em Giorgio Agamben, justifica-se por pretender ser o locus de discussões, reflexões e divulgação de trabalhos científicos, em se constituir  num  espaço de profanação das mais variadas dimensões da vida, que foram sacralizadas pelos imperativos biopolíticos, de gestão econômica, jurídica, política e administrativa da vida na contemporaneidade. “Profanar não significa simplesmente abolir e cancelar as separações, mas apreender a fazer delas um uso novo, a jogar, a brincar com elas. A sociedade sem classes não é uma sociedade que aboliu e perdeu toda memória das diferenças de classes, mas uma sociedade que soube desativar seus dispositivos a fim de tornar possível um novo uso, para transformá-las em meios puros. (Giorgio Agamben). Profanar, refletir, discutir e compreender a crise dos modelos político e governamental da atualidade e a abarcar na defesa de uma nova ontologia política, além  da soberania e do direito, reconhecendo as lacunas doutrinarias e jurisprudencial constitutivas do modo de ser ocidental. . Assim, o tempo que vem, a comunidade que vem, a política que vem, o homem que vem representam possibilidades de diálogo, de devir, de escrita e publicação das ideais que vem presentes e latentes no mundo que vem. Esse é o papel da Revista Profanações.

 

Linhas editoriais da revista

 

1) Homo Sacer: Linha editorial em que são discutidos temas referentes a política, ao  direito, ética, a economia, a religião e a ontologia;

2) Estâncias: em que são debatidos temas referentes a literatura, a linguagem, a poesia, ao cinema, ao teatro, a música, a pintura e a psicanálise;

3) O Contemporâneo: em que são tratados discussões referentes a educação e as ciências sociais: antropologia, sociologia, ciência política;

4) Idéia da Prosa-  em que são apresentadas resenhas analíticas e críticas vinculadas ao pensamento de Giorgio Agamben e a pensadores com ele articulados.